O ídolo e a saudade: Ricardinho fala sobre mundo árabe e vontade de se aposentar no Ceará

Ídolo. Por definição, uma pessoa ou coisa intensamente admirada. No futebol, a palavra ultimamente tem sido banalizada e utilizada para definir qualquer jogador com uma passagem minimamente positiva em alguns clubes.

Não é o caso de Ricardo Dias Acosta. Para os mais íntimos e para a torcida do Ceará, Ricardinho. O volante de 30 anos viveu o melhor, e o pior, que o futebol pode oferecer enquanto vestiu a camisa alvinegra. E a defendeu como poucos. Lutou, brigou e discutiu. Chorou e, no final, sorriu.

Um dos principais nomes do Alvinegro na conquista do maior título da história do clube de Porangabuçu: a Copa do Nordeste de 2015. Um dos grandes heróis da épica fuga de um rebaixamento inédito na Série B do Brasileirão da temporada passada. Ricardinho nunca fugiu da responsabilidade.

Infelizmente, para a torcida alvinegra, e talvez para Ricardinho, a necessidade financeira afastou o ídolo de seus adoradores. Após o fim da temporada de 2015, o jogador se transferiu para o Al-Ettifaq, da Arábia Saudita. Mas não há nada que supere a vontade. Um dia, ambos irão se reencontrar. Enquanto isso não acontece, o volante bateu um papo exclusivo com o Blog O Nordeste Merece e falou sobre sua torcida pelo Ceará, adaptação ao mundo árabe e lembranças de Porangabuçu.

BLOG O NORDESTE MERECE: Como está sua adaptação no futebol árabe? Logo na sua estreia você já marcou do meio de campo.

RICARDINHO: Minha adaptação está sendo muito boa. Parece que já estou há muito tempo aqui. Devo muito isso aos brasileiros que já estavam aqui, que me deram toda atenção para eu me adaptar. São cinco brasileiros. O Fernando, preparador de goleiros do profissional, Alexandre, preparador de goleiros do sub-23, Itamar, preparador de goleiros do sub-20, Marcelo preparador de goleiros do sub-17, e o Douglas, jogador de vôlei. O Fernando teve a ideia desse projeto de trazer os preparadores para cá, os goleiros aqui são muito fracos.

O NORDESTE MERECE: Aliás, não só sua adaptação ao futebol árabe, como está sua adaptação ao mundo árabe. É uma cultura bem diferente.

RICARDINHO: São muitas mudanças. Aqui quem manda é a religião muçulmana, mas tem sido tranquilo para me acostumar com toda diferença de cultura. Temos que saber que estamos num outro país e precisamos andar conforme funciona aqui. Aqui eles rezam seis vezes por dia e a hora que bate a reza é obrigado a fechar todo comércio, às vezes você sai de casa para ir a alguma loja chega lá ela está fechada, aí tem que esperar acabar a reza.

O NORDESTE MERECE: É sua primeira passagem pelo futebol internacional. Como está essa experiência?

RICARDINHO: Sim é a primeira vez que jogo fora do país. Vejo que no momento certo, aliás, Deus sempre faz as coisas certas, estou com 30 anos, bem maduro e em um momento da minha carreira certo pra sair do Brasil. Futebol aqui o nível é mais baixo que no Brasil, mas graças a Deus estou conseguindo demonstrar minha qualidade logo no início.

O NORDESTE MERECE: Já teve propostas para voltar ao futebol brasileiro?

RICARDINHO: Sim já tive propostas para voltar time da serie A e B

O NORDESTE MERECE: Você tem acompanhado o Ceará?

RICARDINHO: Sim tenho acompanhado aqui o Ceará, na torcida sempre. É um clube que me proporcionou muitas coisas, os melhores anos da minha carreira sem dúvida. Triste por um início não tão bom, mas com a certeza que vai fazer um excelente brasileiro e vai brigar pelo acesso.

O NORDESTE MERECE: Como você vê sua relação com o Ceará e a torcida? Você foi um dos heróis da Copa do Nordeste e seguiu com o clube até o fim, sendo também um dos heróis daquela épica campanha contra o rebaixamento, mesmo com propostas para sair.

RICARDINHO: A torcida do Ceará é muito apaixonada. Quando eles gostam de um jogador, eles gostam mesmo. Realizei um sonho e foi a torcida do Ceará que me proporcionou. Antes dos jogos ela gritava meu nome: ‘Quer jogar, quer jogar, Ricardinho vai te ensinar’. Isso não tem preço. Você já inicia o jogo com a moral lá em cima. Em relação ao ano passado, que conseguimos livrar o Ceará do rebaixamento, foi muito emocionante, foi uma conquista muito mais forte do que a própria conquista da Copa do Nordeste, por toda a pressão que tivemos ao longo do campeonato, desde a sexta rodada na zona de rebaixamento e na última rodada, conseguimos. Foi um alívio.

O NORDESTE MERECE: Então o ‘Quer jogar, quer jogar, Ricardinho vai te ensinar’ ainda fica na sua cabeça?

RICARDINHO: Sim, com certeza. Tenho vídeos gravados no celular. Não posso perder essa lembrança.

O NORDESTE MERECE: Pretende voltar ao futebol brasileiro ou ao Ceará?

RICARDINHO: Sim, pretendo voltar e para o Ceará. Quero encerrar minha carreira lá. Essa é minha vontade, mas não sei se é a mesma de Deus. Mas lógico, sou profissional, mesmo existindo todo meu carinho e amor pelo Ceará, não posso fechar as portas de outros clubes.

O NORDESTE MERECE: Fechando falando mais uma vez de sua passagem pelo futebol árabe. Quais suas expectativas para o Al-Ettifaq até o fim de seu contrato, em 2018?

RICARDINHO: Se Deus quiser vamos conseguir o acesso aqui. Quero jogar a primeira divisão aqui e escrever meu nome também no clube e na Arábia. Cumprir meu contrato aqui.

 

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