Em seu terceiro ano de Inter, Ernando conta seus planos para o futuro e readaptação à zaga

Revelado pelo Goiás, clube em que atuou por mais de 400 jogos, Ernando chegou ao Internacional no início de 2014 e, entre improvisações na lateral e consolidação na zaga, já são 116 partidas pelo clube gaúcho, com cinco gols marcados. Em conversa exclusiva com o Esporte Interativo, entre outros assuntos, o defensor revelou seus planos para o resto da carreira, contou sobre sua relação com o técnico Argel Fucks e explicou como foi atuar fora de posição no ano passado.

Confira a entrevista exclusiva com Ernando:

Esporte Interativo: Pelo Goiás, foram mais de 400 jogos. Pelo Inter, já são mais de 100. O que te faz manter essa longevidade nos clubes?

Ernando: Além de os treinadores me colocarem para jogar, eu sou um cara que tive poucas lesões na carreira, o que me ajudou a conseguir esses números. Depois que saí do Goiás, achei que seria um pouco mais difícil, porque o Inter é um clube grande, ia estar concorrendo com jogadores de alto nível e isso aconteceu. No ano passado, por exemplo, tinha Paulão, Juan, outros zagueiros e, mesmo assim, eu consegui manter a titularidade, fazendo várias partidas mesmo com a concorrência forte.

EI: Você é um jogador que vai na contra-mão do mercado, ficando muito tempo nos clubes em que atua. O que isso representa para você como profissional?

E: Fico feliz de ter vestido a camisa do Goiás por muito tempo, ter feito história lá. Agora repetindo aqui no Inter, fiz um contrato de quatro temporadas e estou começando a cumprir meu terceiro ano. Quem sabe em um futuro próximo poder renovar com o Inter, que é um clube que me acolheu muito bem, onde eu me sinto muito bem de jogar. É importante ter uma identidade com o clube, com o torcedor. E, por mais tempo que você ficar em um clube, esse carinho e esse afeto com o torcedor vai aumentar. Lógico que o Goiás teve outras propostas para eu sair, o clube não quis negociar e eu fiquei por mais tempo. No Inter, no ano passado, também teve proposta, de um time do México, mas não era interesse meu nem da diretoria negociar e eu espero ficar aqui por mais tempo.

EI: Se você repetir no Internacional a longevidade que teve no Goiás, existe a possibilidade de encerrar a carreira no Rio Grande do Sul?

E: Não acho impossível. Mas é difícil ficar tanto tempo assim no Inter, eu ainda tenho 28 anos. Eu pretendo encerrar minha carreira com 36, 37 anos.

EI: Durante boa parte de 2015, você atuou improvisado na lateral. Como foi essa experiência?

E: Aconteceu com o (Diego) Aguirre, que me improvisou na lateral direita. Fiz algumas partidas na direita, falei com ele que já tinha atuado algumas vezes assim no Goiás, mas não com tanta frequência quanto aqui. Ele me improvisou e acabou que eu fiz a primeira fase da Libertadores quase toda na posição. Depois acabou que precisou e ele me colocou na esquerda. É um pouco mais difícil, porque não é o lado da minha perna boa. Mas eu pude ajudar, tanto é que mudou o treinador, o Argel chegou e eu ainda fiz alguns jogos na lateral e fui elogiado pelo Argel. Foi bom para ter uma versatilidade no time, poder jogar em outras posições e eu me senti confortável depois de fazer alguns jogos.

EI: No fim de 2015 e nesta temporada, você se consolidou como titular na sua posição original: zagueiro. Como foi a readaptação após passar um tempo jogando improvisado?

E: Foi tranquilo. Eu sempre coloquei para os próprios treinadores que eu prefiro jogar na zaga. Foi onde eu me formei, onde comecei a atuar como profissional. Eu me sinto mais confortável. Esse ano estamos bem servidos de lateral direito e esquerdo, espero que eu possa ter uma sequência até o final do ano como zagueiro e manter uma média boa de gols sofridos durante a temporada. O importante é ajudar.

EI: Alisson, William, Ernando, Paulão e Artur é a formação padrão da defesa do Internacional. Na grande maioria dos últimos jogos, essa formação tem poucas mudanças. Como é o entrosamento entre vocês?

E: Na reta final do Brasileirão do ano passado fizemos vários jogos com essa formação, tinha ainda o Dourado ali na frente, mas esse ano o Rodrigo machucou, o William teve a suspensão e mudou um pouco essa linhda de quatro. Mas são todos jogadores com característica boa de marcação, jogadores rápidos, e isso facilita muito o trabalho ali atrás. Lógico que os treinamentos que Argel passa para gente, cumprimos bem taticamente dentro de campo.

EI: Como é a sua relação com o técnico Argel Fucks?

E: Bem tranquila. Sou um cara que tenho poucas lesões, mas aconteceu na Florida Cup de eu ter uma lesão na panturrilha. Fiquei um mês fora e logo depois ele me deu uma confiança muito boa, eu fiquei o primeiro jogo no banco e depois já me retornou para a equipe. Então tem o respaldo do treinador, que dá confiança para poder jogar tranquilo dentro de campo. É um cara que orienta bem, foi da função, foi zagueiro, sabe orientar principalmente a gente ali atrás porque jogou na mesma posição, então é um cara que auxilia muito no posicionamento, ajuda muito.

EI: Quando jovem, você foi convocado para seleções de base. Ainda sonha em chegar à principal?

E: É muito díficil. Tem muitos zagueiros na minha frente. Lógico que a oportunidade existe, mas ela vai ter que partir de mim. Vou ter que fazer um campeonato sensacional, disputar os títulos. Fazer um campeonato acima da média para, quem sabe um dia, chegar à Seleção. É um sonho de todo jogador. Já vesti a camisa da Seleção na base, é um pouco distante, mas não impossível.

 

Voltar