Na ausência de Luiz Otávio, Valdo vira referência defensiva no Ceará

Andrevaldo de Jesus Santos nunca foi badalado no Ceará. Chegou sem grife em 2016, do Confiança/SE, após passagem pela Série C do Brasileiro. Demorou para encaixar no time titular e também na 'boca' do torcedor, mas a transformação de patamar ocorreu com a continuidade do trabalho e a dedicação de zagueiro nascido em Lagarto, Sergipe, que deixou a profissão de vendedor de laranja para se dedicar ao futebol profissional.

Dos sacos de 60 quilos que carregava na infância, o que resultava em R$ 30 de renda por dia, Valdo se transformou em um dos pilares alvinegros na elite nacional. Em uma defesa cativa sob o comando do técnico Enderson Moreira - Diogo Silva, Samuel Xavier e João Lucas - o atleta de 27 anos é quem compõe o miolo de zaga, seja ao lado de Luiz Otávio ou de Tiago Alves.

Somando 102 partidas à frente do Alvinegro de Porangabuçu, Valdo chegou ao auge da carreira nesta temporada. São 31 participações em campo, entre Campeonato Cearense, Copa do Brasil, Nordestão e Brasileirão. A última competição, inclusive, é a que evidencia o salto de desempenho.

Além de ser o 6º do elenco que mais atuou, totalizando 1.260 minutos em 14 partidas, o atleta também lidera atributos individuais no Vovô. Segundo o site especializado em estatística Sofascore, entre os defensores, o atleta desponta como o 2º com mais desarmes (22), um a menos que o lateral direito Samuel Xavier. Já no fundamento de cortes de bola, o índice é ainda maior (78), o que o coloca na liderança do requisito, superando até Luiz Otávio, que tem 72.

No combate mano a mano, o zagueiro surge como um adversário imponente aos atacantes adversários. Em todas as exibições no Brasileirão, por exemplo, apenas em quatro ocasiões foi driblado, se credenciando como o defensor que menos foi batido através da habilidade rival.

 

Importância tática

Os números são reflexos da função que desempenha em campo. Sem muitas características ofensivas, o campo de defesa é o recorte ideal para Valdo, que se posta, muitas vezes, como a peça de linha mais recuada e próxima de Diogo Silva. O posicionamento faz com que a participação no ataque seja diminuta, assim como a exibição não pareça ter o brilhantismo de outros companheiros, a exemplo de Samuel Xavier, que colabora com a armação da equipe pela lateral.

A tendência é que o zagueiro apareça em momentos capitais da partida, geralmente centrados no lado direito. O espaço é tão bem demarcado que fez até Enderson improvisar Tiago Alves na esquerda após a lesão de Luiz Otávio, que se recupera de uma lesão muscular na parte anterior da coxa esquerda e segue sem treinar com o elenco. Tendo sofrido 25 gols na competição, 10ª menos vazada, o setor tem as opções de Charles e Eduardo Brock, zagueiros que ainda não estrearam na elite.

 

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